quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Toda a minha existência está ameaçada pelos meus medos mais constantes e recentes. Medos esses que me apavoram até a raiz da alma, e afetam toda a minha essência. Minhas palavras se perdem no escuro do meu coração, pois não conseguem descrever como me sinto em relação a não existir, não explicam todas as minhas dores, e nem o motivo de todas as lágrimas que estão escorrendo em meu rosto, e congelando em minha alma. Queria fixar em mim, palavras que me dessem força, e eu pudesse recorrer todas as vezes que me sentir frágil e insegura. Mas, tudo que eu acreditava se perdeu junto com o medo de perder as coisas que eu não possuía. Fecho meus olhos, e tudo que sinto é a dor ardente afetando meus sentidos e corroendo meus ossos. Sinto falta de quando eu podia respirar e sentir o seu cheiro puro e doce tomar conta dos meus pulmões. Quando abro os olhos, dou de cara com a realidade, e me atiro no mar de sangue do meu coração.
Quando eu era pequena, costumava olhar as luzes da cidade brilhando em cima da minha cabeça, e pensava que tudo poderia um dia ser bem iluminado. Eu ficava encantada com a variedade de formas e cores que meus olhos viam, e me deliciava no imenso prazer de saber que eu não tinha nada com que me preocupar, além de temer que as luzes se apagassem e ficassem tudo escuro. As luzes então se apagaram, e eu cresci de uma forma devastadora para meus sentidos, e como se fosse ironia do destino, eu não posso mais ver as luzes brilhantes. Crescer me fez aprender a lidar com sentimentos e pessoas, de modo que afundada em minhas tristezas e decepções, eu conheci o torpor e fiquei viciada nele. Sinto saudade do tempo que meu único problema era se meu brinquedo havia quebrado, ou se meu desenho preferido não ia passar na televisão. A verdade , é que quando crescemos descobrimos que o mundo não é tão maravilhoso assim, e trocamos nosso sorriso inocente por uma postura e conduta desesperada de dor, sofrimento e confusão. Tudo que quero, é rasgar meu peito e retirar esses sentimentos inúteis de dentro de mim , de uma forma que só reste coisas boas. Estou frustrada com o meu poder de não fazer nada quando tudo está caindo, e sentir os vidros das janelas quebrarem e me perfurarem a alma. Então, eu acreditava que o mundo que criei submersa em meu quarto, fosse suficiente por um longo tempo. Mas me enganei. Assim como me enganei jurando ser feliz para sempre. Agora sei que o para sempre não existe, então tudo é duradouro e finito. E as tardes quentes de verão foram substituídas por noites longas e permanentes de inverno. Então, eu tive que aprender a crescer sozinha, de modo que eu pudesse ser o suficiente para mim mesma.
Estou profundamente triste. Como nunca estive antes , até o fundo da minha essência. A dor dilacera-me viva, e esmaga meus pulmões, artérias e coração. Na verdade, não sei o quanto de vida ainda tenho em mim. A cada dia que passa ela vai se esgotando rapidamente, até me sugar por completo. A cada dia que passa o fim chega mais perto, e me corrói as esperanças. Estou inteiramente confusa e enjoada. Como antes eu não estava. O vazio dentro de mim aumenta e me sufoca, não me deixando espaço para respirar. Então, eu continuo sobrevivendo com todos os meus pedaços. Colados, trincados, soltos, soldados, rachados, perdidos.
Cada célula do meu corpo reconhece o medo, mas não consegue senti-lo. Acho que meu coração já foi partido e não consegue sentir mais nada. Exceto a dor, que incomoda tanto. Toda vez que sinto o peito arder, sinto tudo desmoronar. Mas tudo já está desmoronado e destruído, então tanto faz.
É estranho, mas não sei descrever como me sinto.
Cada célula do meu corpo reconhece o medo, mas não consegue senti-lo. Acho que meu coração já foi partido e não consegue sentir mais nada. Exceto a dor, que incomoda tanto. Toda vez que sinto o peito arder, sinto tudo desmoronar. Mas tudo já está desmoronado e destruído, então tanto faz.
É estranho, mas não sei descrever como me sinto.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Cada gota do meu sangue tem a consciência de que o ar fica cada vez mais pesado com a sua ausência. Cada célula do meu corpo pula ao reconhecer teu nome. Cada um de meus pulmões para quando meus olhos te veem. Tenho muito mais consciência de você, do que você de mim. Pois se tivesse, não teria me deixado assim, tão indefesa. Se todas as tuas juras fossem realmente verdadeiras, não tentarias negar que eu existo e não gritarias a todo o céu que o sol morreu, pois não brilha mais e não pode aquecer teu coração. Cada parte dos meus ossos doloridos tem consciência que você existe, e que eu o amo mais do que minha própria vida.
sábado, 30 de outubro de 2010
A partir do momento que seu coração parar de bater, a minha alma se libertará do meu corpo, e encontrará a escuridão, onde eu não posso te enxergar. Você está cavando minha cova ao querer partir. Você está me destruindo com essa sua falta de vontade de viver. E se eu te pedir pra ficar por mim ?Adiantaria algo ? Você se importaria em como eu me sentiria se você não estivesse aqui ? Eu faria assim : cravaria uma faca em meu peito, e ficaria deitada em um chão frio até a escuridão me levar. Escreveria com meu sangue, seu nome em todas as paredes que me prendem nesse lugar. Quem sabe se você voltar, entenderá o quanto é , e sempre será importante pra mim.
Ás vezes eu abraço meus joelhos tentando juntar os meus pedaços, e recoloca-los no lugar. Eu ouço o barulho da chuva cair lá fora, e encharcar minha alma. Minhas pálpebras pesam sobre os olhos, cansados e vermelhos de tanto chorar. No meu corpo estão as marcas que refletem minha solidão. Minha alma é morada da minha escuridão. Eu me controlo para não afundar em devaneios, e começar a sorrir. Estou caindo lentamente, e tenho medo da ansiedade de encostar no chão frio que encontrei dentro de mim. Eu nunca pensei que cair podia demorar tanto, mas eu espero que isso acabe logo. Não me pergunte o que aconteceu comigo, porque não consigo explicar o que acontece dentro de mim. Eu olho o vazio como se ele me preenchesse então a noite cai e os gritos voltam a me assustar. O que resta não me satisfaz. Tempos passados que não voltam mais. Eu estou caindo de novo, e agora isso me agrada. E o meu coração está quebrando novamente, desgastado de bater nesse peito inchado. Estúpido. Não entende que ele tem que parar de bater pra dor passar. O que restou, foi apenas chiclês usados por mim como se fossem algo para me confortar.
sexta-feira, 22 de outubro de 2010
As noites passam e chegam os dias devorando-me de forma inescrepulosa, e arrastando-me para mais perto do abismo de ilusões. Eu não deveria estar aqui, isso é a única coisa que sei no momento. Tudo é estranho demais para que eu possa conseguir entender para onde devo guiar os meus pés. Mas nada faz sentido sem você. Mas isso não quer dizer que eu não tenha tentado respirar algo que não seja o seu ar. Mas tudo sufoca meus pulmões e é tóxico demais para que eu possa conviver. Eu tentei trilhar um caminho que pudesse ser só meu, mas não consegui achar a direção para não encontrar com o seu. Tudo bem, um dia, quem sabe, talvez anos mais tarde , quando o buraco dentro do meu peito estiver devidamente curado, eu possa lembrar disso e ainda rir de todo esse tempo que fui tola tentando esquecer você. As pessoas passam, os dias mudam, e eu ainda continuo presa ao passado, em minhas lembranças infantis de quando era feliz. Mesmo que as pálpebras cansadas insistam em fechar, eu ainda posso te ver por baixo da escuridão que invade meus olhos. Você faz parte de todo o meu mundo. Tenho saudade de quando tudo era mais fácil, e não era tão doloroso dormir e acordar pensando em você. Eu não sabia o que esperar de cada dia , e no entanto , você estava lá , presente em cada pensamento meu. E bastava pegar o telefone e ligar e você vinha correndo me encontrar. Você me acomodava no calor dos seus braços , e afagava meus rosto tão delicadamente , como se tivesse medo que eu pudesse quebrar em suas mãos. Mas ao seu lado eu estava perfeita. Inteira. Completa. E hoje eu chorei por tudo aquilo que não fomos. Por tudo aquilo que deixamos de ser. Por tudo que não suportamos. Por tudo que deixamos pra trás. E eu lembrei de todas as suas juras ... você disse que nunca iria me esquecer , e agora você está tentando fazer isso. Não sei se quero que consiga, porque meu fracasso em fazer o mesmo me desintegra em pequenos fagulhos de você. Essa dor demasiada faz o meu peito abrir e arder de forma que eu não posso aguentar. Um decisão. A nossa decisão. Eu farei as coisas serem mais simples para você. Eu deixarei de ser o sol, e deixarei de cantar pra você. Vou me empenhar em te esquecer, por mais que isso consuma todos os meus dias, e todas as minhas lágrimas. Por mais que isso possa ser doloroso demais e eu não possa suportar. Eu vou deixar você partir.
Hoje me perguntaram de você . Sempre perguntam. Mas tem sido mais frequente. Deve ser, porque não posso mais te ver. Meu peito não devia doer quando ouço teu nome, meus olhos não deviam encher de lágrimas quando respondo " faz algum tempo que não o vejo " , eu não devia ficar tão desesperada para não pensar nisso. Achei que eu havia superado. Eu devia ter superado. Mas quando ouço seu nome soar em meu ouvido, sinto o chão sumir dos meus pés e as lágrimas fluem dos olhos, e eu não consigo fazer com que parem de cair e ferir meu coração. Não posso mais tentar encontrar sua alma em outro corpo , que está tão vazio quanto o meu. Não posso mais tentar achar seus beijos em outros lábios, que não se encaixam nos meus. É tão ridículo esperar a noite cair para afundar em meu travesseiro e começar a chorar em silêncio pra ninguém perceber, mas eu queria gritar e esmurrar as paredes geladas que me cercam. Mas eu espero o sono me dopar, e me entrego aos meus sonhos. Você está sorrindo, com os braços estendidos pra me abraçar. Por um momento eu acredito que seja real. Mas seria infantil demais acreditar nisso. Só em meus sonhos posso te ter. Não quero mais sonhar, se for assim. Não quero ter que enfrentar a dor de ter que acordar e ver que você não esta aqui.
Eu te vejo em todos os rostos que passam por mim nesses dias escuros e vazios que não preenchem o vazio que está dentro do meu peito. Eu te vejo em cada gota desta chuva que molha meus olhos já encharcados pelas lágrimas. Eu te vejo em cada palavra que escrevo dentro do meu coração. Em todas as notas de todas as músicas, e em todas as nuvens que pertecem ao céu. Eu te vejo em tudo aquilo que eu faço, ou falo, ou até mesmo penso . Eu te vejo refletido em meus olhos, e dentro do meu coração. Eu tento ignorar tudo que me faz lembrar você, mas as memórias são muito mais rápidas e me dominam fazendo meu torpor voltar e me fazer cair lentamente rumo a solidão. Eu tenho tentado te esquecer, mas tudo no meu mundo pertence a você.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Eu sei como é se sentir sozinha e ligar o som alto para abafar os gritos de desespero. Eu sei como é cobrir o rosto com as mãos para que as pessoas não vejam seus olhos vermelhos. Eu sei como é correr sem saber onde quer chegar , e nunca querer parar para respirar com medo de chorar. Eu sei como é quando as lágrimas não querem se controlar e querem sair derramando dos olhos , e você quer chegar ao seu quarto para que ninguém veja sua dor. Eu sei como é esconder de todos as suas noites vazias de insônia , com a cabeça tombada no travesseiro esperando a dor afugentar , mas ela sempre volta. Pra falar a verdade , ela sempre esteve ali, só esperou o momento que você estivesse vulnerável para atacar. Eu sei como é ter a garganta dilacerada de tanto gritar e ninguém te ouvir. Eu sei como é difícil dizer " tudo bem , eu estou bem " , quando tudo que você quer é fugir. Eu sei como é rasgar todas as cartas, quebrar todos os cd's e queimar todas as palavras tentando apagar as lembranças, e eu sei também como não é possível. Eu sei como é machucar o corpo tentando atingir a alma. Eu sei como é fracassar , e querer desistir da sua própria vida achando que isso vai concertar as coisas, e eu sei também como não irá mudar nada. Eu sei como é abraçar os joelhos tentando unir os pedaços que insistem em sangrar. Eu sei como é tentar ver as coisas de um modo diferente, quando não se há nenhuma solução, e não há nada a acreditar. Eu sei como é se iludir, enganar, sofrer , machucar, crescer , viver, ressuscitar. Só não sei ainda, como faz pra não sangrar.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Em ações e palavras egoístas, eu me torturo sabendo que este não é o certo, mas não consigo controlar. Eu devia deixar que as pessoas partam da minha vida sem nenhuma dor. Mas eu as quero pra mim, de um jeito egoísta demais para que eu possa compreender. Pareço uma criança que não quer dividir seus brinquedos, e quer todos só pra ela, mesmo sabendo que a outra criança seria feliz se brincasse também. Mesmo sabendo que os brinquedos seriam mais divertidos se fossem divididos, mesmo sabendo que ela terá que os abandonar, e isso seria melhor, pois evitaria que fossem destruídos. Mas as pessoas não são brinquedos, e eu não sou uma criança. Sou capaz de entender o que estou fazendo e saber que não é certo. Não posso continuar a proibir que as pessoas saíam da minha vida, porque sei que seria melhor para elas. Mas sou egoísta demais para isso. Tenho medo de ficar sozinha, depois de deixar que elas vão embora. Isso seria um pecado muito grave ? Tudo está ficando infantil demais. Eu não devia ser um monstro.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Nunca pensei que o nada algum dia pudesse me satisfazer - ou que se fosse possível satisfazer, que não fosse tão rápido e tão fácil - , mas ultimamente meu abrigo tem sido a conformação com o nada - principalmente aquele que habita dentro de mim -. Me pergunto se algum dia esse buraco - que arde e me faz sangrar - que se aloja dentro do meu peito vazio possa se atenuar, e eu possa respirar, fechar os olhos e poder ter sonhos tranquilos e sem acordar aos gritos procurando algum chão que eu possa pisar. Não há nada que distraia a minha mente e faça meu corpo reagir . Temo fazer de meu torpor algo que possa me destruir, mas ele só assombra o buraco existente no lugar do meu coração, e arde de forma como se tivera sido aberto recentemente - mas esse buraco me atormenta há mais tempo que eu pensei poder suportar .
Não vejo as horas passarem e me deixo perder no tempo, fitando o horizonte que avança sobre meus olhos, mas eu não consigo realmente ver o que meus olhos enxergam. Me distraí com algo um tanto mais prazeroso - e doloroso - .
Tentei me prender ao sorriso que tantas vezes me tirou o ar e ofuscou o sol que nascia por entre as nuvens .Não foi difícil fazer com que meus pensamentos se transportassem de imediato para ele. Ao contrario, me transportei com tanta facilidade que não percebi que não era real. Fácil sempre seria, difícil seria parar de lembrar de quando ele estava aqui. Refiz todos os detalhes, como se fossem reais, o choque do seu toque em minha pele fria, as sensações que eu sentia quando ele se aproximava, e eu olhava aquele rosto sereno , mas intenso - pelo menos pra mim . Quando estava com ele, sentia um impulso incontrolável de sorrir. Reconstrui sua voz em minha mente, e aos poucos senti o cheiro dele penetrar em minha pele e me fazer querer dançar. Pensar em tudo isso, em cada dia, e lembrar de como era cada vez que ele me olhava , é uma dor no entendo agradável -talvez por me fazer falsamente sorrir , e me afundar em devaneios de quando eu podia tê-lo por perto.
Um vento frio me fez tremer e agitou meus sentidos, atingindo meu coração por me despertar da minha mais perfeita ilusão. O céu já estava alaranjado e o sol se escondia por trás da montanha.
Pensar em como era quando ele estava aqui me afastava do nada que me feria, mas fazia meu buraco arder e se aprofundar mas pelo meu peito.
Não vejo as horas passarem e me deixo perder no tempo, fitando o horizonte que avança sobre meus olhos, mas eu não consigo realmente ver o que meus olhos enxergam. Me distraí com algo um tanto mais prazeroso - e doloroso - .
Tentei me prender ao sorriso que tantas vezes me tirou o ar e ofuscou o sol que nascia por entre as nuvens .Não foi difícil fazer com que meus pensamentos se transportassem de imediato para ele. Ao contrario, me transportei com tanta facilidade que não percebi que não era real. Fácil sempre seria, difícil seria parar de lembrar de quando ele estava aqui. Refiz todos os detalhes, como se fossem reais, o choque do seu toque em minha pele fria, as sensações que eu sentia quando ele se aproximava, e eu olhava aquele rosto sereno , mas intenso - pelo menos pra mim . Quando estava com ele, sentia um impulso incontrolável de sorrir. Reconstrui sua voz em minha mente, e aos poucos senti o cheiro dele penetrar em minha pele e me fazer querer dançar. Pensar em tudo isso, em cada dia, e lembrar de como era cada vez que ele me olhava , é uma dor no entendo agradável -talvez por me fazer falsamente sorrir , e me afundar em devaneios de quando eu podia tê-lo por perto.
Um vento frio me fez tremer e agitou meus sentidos, atingindo meu coração por me despertar da minha mais perfeita ilusão. O céu já estava alaranjado e o sol se escondia por trás da montanha.
Pensar em como era quando ele estava aqui me afastava do nada que me feria, mas fazia meu buraco arder e se aprofundar mas pelo meu peito.
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
No fundo, eu sempre soube que em algum momento, ele iria me deixar - só nao imaginei ser tão rápido -. Talvez eu seja humanamente insuficiente pra ele. Tão humana que não consigo me desprender dos detalhes das lembranças que ele deixou, talvez porque esquecer os dias que eu fui feliz seja doloroso demais pra mim poder suportar.
O escuro vazio do meu quarto não conforta minha dor. Ao contrário, só trás as lembranças que não quero lembrar. Talvez o torpor tenha voltado, mas na verdade, eu fiquei agradecida por isso. Desse modo, eu não saíria correndo pelas ruas molhadas gritando palavras que já não fazem sentido e só me machucariam mais. Causariam uma dor que eu não sei se eu seria capaz de suportar.
Senti uma pontada de dor terrivel no peito quando percebi que estava sorrindo ao permitir que ele entrasse em meus pensamentos. A nostaugia me dominou, então abracei meus joelhos tentando juntar os meus pedaços. Pensar nele, era muito mais doloroso que eu poderia suportar. Ouvi ele ri em meu ouvido, exatamente como ele fizera tantas vezes no passado, e era tão estranhamente comum que eu esperasse ouvir sua voz. Aquela voz familiar que eu ouvia falar todos os dias em minha mente e fazia pulsar meu coração, repetindo palavras que eu nao queria mais escutar por arderem o buraco em meu peito. Eu ouvi seu coração pulsar no peito, e eu me senti feliz por saber que em algum lugar ele estaria vivo - talvez até melhor sem mim - . O meu sorriso torto perfeito ainda se encontrava em algum lugar daquele rosto que tantas vezes me acolheu.
As lembraças fluíam mais depressa do que eu podia controlar e acertavam o buraco dentro do meu peito vazio. Eu queria gritar, eu queria correr delas, mas elas estavam dentro de mim. Eu tentei me afugentar e me distrair, mas eu sempre estarei presa no passado. Um passado que eu podia sorrir, que eu tinha um motivo pra viver. Mas agora tudo parece estar muito distante.
O escuro vazio do meu quarto não conforta minha dor. Ao contrário, só trás as lembranças que não quero lembrar. Talvez o torpor tenha voltado, mas na verdade, eu fiquei agradecida por isso. Desse modo, eu não saíria correndo pelas ruas molhadas gritando palavras que já não fazem sentido e só me machucariam mais. Causariam uma dor que eu não sei se eu seria capaz de suportar.
Senti uma pontada de dor terrivel no peito quando percebi que estava sorrindo ao permitir que ele entrasse em meus pensamentos. A nostaugia me dominou, então abracei meus joelhos tentando juntar os meus pedaços. Pensar nele, era muito mais doloroso que eu poderia suportar. Ouvi ele ri em meu ouvido, exatamente como ele fizera tantas vezes no passado, e era tão estranhamente comum que eu esperasse ouvir sua voz. Aquela voz familiar que eu ouvia falar todos os dias em minha mente e fazia pulsar meu coração, repetindo palavras que eu nao queria mais escutar por arderem o buraco em meu peito. Eu ouvi seu coração pulsar no peito, e eu me senti feliz por saber que em algum lugar ele estaria vivo - talvez até melhor sem mim - . O meu sorriso torto perfeito ainda se encontrava em algum lugar daquele rosto que tantas vezes me acolheu.
As lembraças fluíam mais depressa do que eu podia controlar e acertavam o buraco dentro do meu peito vazio. Eu queria gritar, eu queria correr delas, mas elas estavam dentro de mim. Eu tentei me afugentar e me distrair, mas eu sempre estarei presa no passado. Um passado que eu podia sorrir, que eu tinha um motivo pra viver. Mas agora tudo parece estar muito distante.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Talvez, eu ainda esteja afundada em meu torpor, me alimentando de coisas que me destroem em cinzas tão leves para o vento levar. De repente, as lembranças agradáveis se transformam em adagas que perfuram tão lentamente - e dolorosamente - meu coração. Tempos que eu era feliz e podia sentir o vento balançar meu cabelo e arder em meu rosto. Tempos insubstituíveis que não voltam mais, e hoje só me assombram e me prendem ao passado não muito distante. A certeza de morrer bagunça meus sentidos, me arrancando gritos que ferem até mesmo meus ouvidos. Tenho tido pesadelos sobre o futuro que se aproxima tão rápido que devora tudo, principalmente as estruturas de ferro que construí para me sustentar. Estou envelhecendo rápido demais, e minhas pernas não conseguem mover com rapidez suficiente. Tudo está estranho, frio e vazio, e eu ainda tento me convencer que só é só o inferno... e mais nada.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Sem perder as esperanças
eu tento caminhar procurando algum lugar que eu possa te encontrar. Você não sabe como dói te esperar, e nunca te ver chegar. Não sabe como é ter as mãos estendidas esperando você me abraçar, e nelas ficarem apenas o vazio da sua ausência. Não sabe como é espremer os olhos te procurando em todo lugar, e ainda não te encontrar. O que me sustenta é saber que o mesmo sol que queima a minha pele, ilumina você em seu caminho torto de tentar me achar. O que me segura nesse mundo sujo, frio e injusto é a certeza que um dia vou te ver, e vou poder dizer o quanto você sempre faz falta aqui. E a cada vez que grito seu nome ás estrelas, o meu vazio aumenta, porque você não pode me escutar. E mesmo que eu peça aos céus, o vento não pode te trazer pra mim, e eu continuo a chorar, imaginando que você está aqui, e eu posso te tocar. Meus olhos me enganam e eu me perco em devaneios, vendo teu rosto me olhar. Mas quando estendo as mãos, você some como pó e o vento te leva pra longe de mim de novo. Por que você não pode estar aqui ? Por quê ? me responda, por que eu já me perdi tentando encontrar a resposta de algo que me machuca. Então venha logo, porque a escuridão me engole me quebra em pedaços, venha logo me salvar das prisões que eu construi pra mim esperando você chegar. Venha logo por que não aguento mais esperar e ver você cada vez mais se distanciar. Não aguento mais chorar sem ter você pra enxugar minhas lágrimas. Venha correndo, voando, mas venha logo, porque eu estou desmoronando esperando você chegar.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
Ser mais um, seria mais um capricho da solidão.
Mais um castigo da ilusão,
que eu acreditei por tanto tempo ser verdade,
e agora me engole junto a outra história covarde
de alguém que não soube sorrir,
e deixou que lhe arrancassem o coração
antes mesmo de desistir.
Não me condenes mais uma noite nesse inferno
que queima meus pés descalços
e derrama meu sangue pelo chão.
Não me condenes nem mais um minuto a esses vermes
que me perfuram com olhares maliciosos
e ferem meus ouvidos com risadas rigorosamente desafinadas
e, no entanto, tão desconfiadas.
Meu amor, me guarde dentro do seu peito,
onde o fogo que arde meus olhos
não possa me encontrar.
Me leve para onde a hipocrisia destes corpos vazios
não possa fazer de mim casa e alimento
para proliferar.
Me guarde onde o mundo não possa me ver entrar,
e eu não possa ouvir todas essas vozes,
só a sua a me chamar
Mais um castigo da ilusão,
que eu acreditei por tanto tempo ser verdade,
e agora me engole junto a outra história covarde
de alguém que não soube sorrir,
e deixou que lhe arrancassem o coração
antes mesmo de desistir.
Não me condenes mais uma noite nesse inferno
que queima meus pés descalços
e derrama meu sangue pelo chão.
Não me condenes nem mais um minuto a esses vermes
que me perfuram com olhares maliciosos
e ferem meus ouvidos com risadas rigorosamente desafinadas
e, no entanto, tão desconfiadas.
Meu amor, me guarde dentro do seu peito,
onde o fogo que arde meus olhos
não possa me encontrar.
Me leve para onde a hipocrisia destes corpos vazios
não possa fazer de mim casa e alimento
para proliferar.
Me guarde onde o mundo não possa me ver entrar,
e eu não possa ouvir todas essas vozes,
só a sua a me chamar
Pensamentos encantados e um sorriso devorador de mentes brigam dentro de mim.
No fundo, eles fazem parte um do outro, assim como eu faria de você.
Nossos passos se completam, mas eu não consigo entender por que não podemos ocupar o mesmo espaço, como se fossemos um só. Não consigo compreender por que é irrevogavelmente difícil estar perto de você. Tão perto a ponto de sentir seu cheiro me tocar, e seus braços me aninharem em seu peito, bem perto do seu coração. Mas a distância fria que há entre mim e ele, me causa feridas que só eu posso enxergar, só eu posso sentir a dor.
No fundo, eles fazem parte um do outro, assim como eu faria de você.
Nossos passos se completam, mas eu não consigo entender por que não podemos ocupar o mesmo espaço, como se fossemos um só. Não consigo compreender por que é irrevogavelmente difícil estar perto de você. Tão perto a ponto de sentir seu cheiro me tocar, e seus braços me aninharem em seu peito, bem perto do seu coração. Mas a distância fria que há entre mim e ele, me causa feridas que só eu posso enxergar, só eu posso sentir a dor.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Você já teve um sonho
em que eu tivesse presente? Você nunca teve um sonho que eu estivesse presente ? Eu sei, seus sonhos sempre perteceram a outro alguém, e foi tolice minha pensar que eu poderia por um instante visitar seu subconciente enquanto seus olhos estavam fechados e não podiam mentir ao me ver. Seria muito errado não querer acordar dos sonhos em que você está ? Seria muito errado mergulhar em ilusões pra te encontrar ? Seria muito errado viver nos sonhos que eu preparei pra ti ? Porque seria muito doloroso despertar e ver que você não vai voltar. Então me deixe pra sempre sonhar que você está aqui, tocando minha pele fria e palida e assim me fazendo tremer, me deixe sonhar que nunca houve um buraco em meu peito e eu estou inteira de novo, que o sangue quente percorre minhas veias fazendo o coração bater mais rápido ao ver o seu sorriso iluminando minha visão. Me deixe sonhar com as coisas que não podem se tornar realidade, talvez um dia eu consiga acordar e ver que você não está aqui, e em nenhum outro lugar que eu posso te encontrar.
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