quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Quando eu era pequena, costumava olhar as luzes da cidade brilhando em cima da minha cabeça, e pensava que tudo poderia um dia ser bem iluminado. Eu ficava encantada com a variedade de formas e cores que meus olhos viam, e me deliciava no imenso prazer de saber que eu não tinha nada com que me preocupar, além de temer que as luzes se apagassem e ficassem tudo escuro. As luzes então se apagaram, e eu cresci de uma forma devastadora para meus sentidos, e como se fosse ironia do destino, eu não posso mais ver as luzes brilhantes. Crescer me fez aprender a lidar com sentimentos e pessoas, de modo que afundada em minhas tristezas e decepções, eu conheci o torpor e fiquei viciada nele. Sinto saudade do tempo que meu único problema era se meu brinquedo havia quebrado, ou se meu desenho preferido não ia passar na televisão. A verdade , é que quando crescemos descobrimos que o mundo não é tão maravilhoso assim, e trocamos nosso sorriso inocente por uma postura e conduta desesperada de dor, sofrimento e confusão. Tudo que quero, é rasgar meu peito e retirar esses sentimentos inúteis de dentro de mim , de uma forma que só reste coisas boas. Estou frustrada com o meu poder de não fazer nada quando tudo está caindo, e sentir os vidros das janelas quebrarem e me perfurarem a alma. Então, eu acreditava que o mundo que criei submersa em meu quarto, fosse suficiente por um longo tempo. Mas me enganei. Assim como me enganei jurando ser feliz para sempre. Agora sei que o para sempre não existe, então tudo é duradouro e finito. E as tardes quentes de verão foram substituídas por noites longas e permanentes de inverno. Então, eu tive que aprender a crescer sozinha, de modo que eu pudesse ser o suficiente para mim mesma.
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