quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Toda a minha existência está ameaçada pelos meus medos mais constantes e recentes. Medos esses que me apavoram até a raiz da alma, e afetam toda a minha essência. Minhas palavras se perdem no escuro do meu coração, pois não conseguem descrever como me sinto em relação a não existir, não explicam todas as minhas dores, e nem o motivo de todas as lágrimas que estão escorrendo em meu rosto, e congelando em minha alma. Queria fixar em mim, palavras que me dessem força, e eu pudesse recorrer todas as vezes que me sentir frágil e insegura. Mas, tudo que eu acreditava se perdeu junto com o medo de perder as coisas que eu não possuía. Fecho meus olhos, e tudo que sinto é a dor ardente afetando meus sentidos e corroendo meus ossos. Sinto falta de quando eu podia respirar e sentir o seu cheiro puro e doce tomar conta dos meus pulmões. Quando abro os olhos, dou de cara com a realidade, e me atiro no mar de sangue do meu coração.
Quando eu era pequena, costumava olhar as luzes da cidade brilhando em cima da minha cabeça, e pensava que tudo poderia um dia ser bem iluminado. Eu ficava encantada com a variedade de formas e cores que meus olhos viam, e me deliciava no imenso prazer de saber que eu não tinha nada com que me preocupar, além de temer que as luzes se apagassem e ficassem tudo escuro. As luzes então se apagaram, e eu cresci de uma forma devastadora para meus sentidos, e como se fosse ironia do destino, eu não posso mais ver as luzes brilhantes. Crescer me fez aprender a lidar com sentimentos e pessoas, de modo que afundada em minhas tristezas e decepções, eu conheci o torpor e fiquei viciada nele. Sinto saudade do tempo que meu único problema era se meu brinquedo havia quebrado, ou se meu desenho preferido não ia passar na televisão. A verdade , é que quando crescemos descobrimos que o mundo não é tão maravilhoso assim, e trocamos nosso sorriso inocente por uma postura e conduta desesperada de dor, sofrimento e confusão. Tudo que quero, é rasgar meu peito e retirar esses sentimentos inúteis de dentro de mim , de uma forma que só reste coisas boas. Estou frustrada com o meu poder de não fazer nada quando tudo está caindo, e sentir os vidros das janelas quebrarem e me perfurarem a alma. Então, eu acreditava que o mundo que criei submersa em meu quarto, fosse suficiente por um longo tempo. Mas me enganei. Assim como me enganei jurando ser feliz para sempre. Agora sei que o para sempre não existe, então tudo é duradouro e finito. E as tardes quentes de verão foram substituídas por noites longas e permanentes de inverno. Então, eu tive que aprender a crescer sozinha, de modo que eu pudesse ser o suficiente para mim mesma.
Estou profundamente triste. Como nunca estive antes , até o fundo da minha essência. A dor dilacera-me viva, e esmaga meus pulmões, artérias e coração. Na verdade, não sei o quanto de vida ainda tenho em mim. A cada dia que passa ela vai se esgotando rapidamente, até me sugar por completo. A cada dia que passa o fim chega mais perto, e me corrói as esperanças. Estou inteiramente confusa e enjoada. Como antes eu não estava. O vazio dentro de mim aumenta e me sufoca, não me deixando espaço para respirar. Então, eu continuo sobrevivendo com todos os meus pedaços. Colados, trincados, soltos, soldados, rachados, perdidos.
Cada célula do meu corpo reconhece o medo, mas não consegue senti-lo. Acho que meu coração já foi partido e não consegue sentir mais nada. Exceto a dor, que incomoda tanto. Toda vez que sinto o peito arder, sinto tudo desmoronar. Mas tudo já está desmoronado e destruído, então tanto faz.
É estranho, mas não sei descrever como me sinto.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Cada gota do meu sangue tem a consciência de que o ar fica cada vez mais pesado com a sua ausência. Cada célula do meu corpo pula ao reconhecer teu nome. Cada um de meus pulmões para quando meus olhos te veem. Tenho muito mais consciência de você, do que você de mim. Pois se tivesse, não teria me deixado assim, tão indefesa. Se todas as tuas juras fossem realmente verdadeiras, não tentarias negar que eu existo e não gritarias a todo o céu que o sol morreu, pois não brilha mais e não pode aquecer teu coração. Cada parte dos meus ossos doloridos tem consciência que você existe, e que eu o amo mais do que minha própria vida.

sábado, 30 de outubro de 2010

A partir do momento que seu coração parar de bater, a minha alma se libertará do meu corpo, e encontrará a escuridão, onde eu não posso te enxergar. Você está cavando minha cova ao querer partir. Você está me destruindo com essa sua falta de vontade de viver. E se eu te pedir pra ficar por mim ?Adiantaria algo ? Você se importaria em como eu me sentiria se você não estivesse aqui ? Eu faria assim : cravaria uma faca em meu peito, e ficaria deitada em um chão frio até a escuridão me levar. Escreveria com meu sangue, seu nome em todas as paredes que me prendem nesse lugar. Quem sabe se você voltar, entenderá o quanto é , e sempre será importante pra mim.
Ás vezes eu abraço meus joelhos tentando juntar os meus pedaços, e recoloca-los no lugar. Eu ouço o barulho da chuva cair lá fora, e encharcar minha alma. Minhas pálpebras pesam sobre os olhos, cansados e vermelhos de tanto chorar. No meu corpo estão as marcas que refletem minha solidão. Minha alma é morada da minha escuridão. Eu me controlo para não afundar em devaneios, e começar a sorrir. Estou caindo lentamente, e tenho medo da ansiedade de encostar no chão frio que encontrei dentro de mim. Eu nunca pensei que cair podia demorar tanto, mas eu espero que isso acabe logo. Não me pergunte o que aconteceu comigo, porque não consigo explicar o que acontece dentro de mim. Eu olho o vazio como se ele me preenchesse então a noite cai e os gritos voltam a me assustar. O que resta não me satisfaz. Tempos passados que não voltam mais. Eu estou caindo de novo, e agora isso me agrada. E o meu coração está quebrando novamente, desgastado de bater nesse peito inchado. Estúpido. Não entende que ele tem que parar de bater pra dor passar. O que restou, foi apenas chiclês usados por mim como se fossem algo para me confortar.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

As noites passam e chegam os dias devorando-me de forma inescrepulosa, e arrastando-me para mais perto do abismo de ilusões. Eu não deveria estar aqui, isso é a única coisa que sei no momento. Tudo é estranho demais para que eu possa conseguir entender para onde devo guiar os meus pés. Mas nada faz sentido sem você. Mas isso não quer dizer que eu não tenha tentado respirar algo que não seja o seu ar. Mas tudo sufoca meus pulmões e é tóxico demais para que eu possa conviver. Eu tentei trilhar um caminho que pudesse ser só meu, mas não consegui achar a direção para não encontrar com o seu. Tudo bem, um dia, quem sabe, talvez anos mais tarde , quando o buraco dentro do meu peito estiver devidamente curado, eu possa lembrar disso e ainda rir de todo esse tempo que fui tola tentando esquecer você. As pessoas passam, os dias mudam, e eu ainda continuo presa ao passado, em minhas lembranças infantis de quando era feliz. Mesmo que as pálpebras cansadas insistam em fechar, eu ainda posso te ver por baixo da escuridão que invade meus olhos. Você faz parte de todo o meu mundo. Tenho saudade de quando tudo era mais fácil, e não era tão doloroso dormir e acordar pensando em você. Eu não sabia o que esperar de cada dia , e no entanto , você estava lá , presente em cada pensamento meu. E bastava pegar o telefone e ligar e você vinha correndo me encontrar. Você me acomodava no calor dos seus braços , e afagava meus rosto tão delicadamente , como se tivesse medo que eu pudesse quebrar em suas mãos. Mas ao seu lado eu estava perfeita. Inteira. Completa. E hoje eu chorei por tudo aquilo que não fomos. Por tudo aquilo que deixamos de ser. Por tudo que não suportamos. Por tudo que deixamos pra trás. E eu lembrei de todas as suas juras ... você disse que nunca iria me esquecer , e agora você está tentando fazer isso. Não sei se quero que consiga, porque meu fracasso em fazer o mesmo me desintegra em pequenos fagulhos de você. Essa dor demasiada faz o meu peito abrir e arder de forma que eu não posso aguentar. Um decisão. A nossa decisão. Eu farei as coisas serem mais simples para você. Eu deixarei de ser o sol, e deixarei de cantar pra você. Vou me empenhar em te esquecer, por mais que isso consuma todos os meus dias, e todas as minhas lágrimas. Por mais que isso possa ser doloroso demais e eu não possa suportar. Eu vou deixar você partir.