quarta-feira, 13 de outubro de 2010

No fundo, eu sempre soube que em algum momento, ele iria me deixar - só nao imaginei ser tão rápido -. Talvez eu seja humanamente insuficiente pra ele. Tão humana que não consigo me desprender dos detalhes das lembranças que ele deixou, talvez porque esquecer os dias que eu fui feliz seja doloroso demais pra mim poder suportar.
O escuro vazio do meu quarto não conforta minha dor. Ao contrário, só trás as lembranças que não quero lembrar. Talvez o torpor tenha voltado, mas na verdade, eu fiquei agradecida por isso. Desse modo, eu não saíria correndo pelas ruas molhadas gritando palavras que já não fazem sentido e só me machucariam mais. Causariam uma dor que eu não sei se eu seria capaz de suportar.
Senti uma pontada de dor terrivel no peito quando percebi que estava sorrindo ao permitir que ele entrasse em meus pensamentos. A nostaugia me dominou, então abracei meus joelhos tentando juntar os meus pedaços. Pensar nele, era muito mais doloroso que eu poderia suportar. Ouvi ele ri em meu ouvido, exatamente como ele fizera tantas vezes no passado, e era tão estranhamente comum que eu esperasse ouvir sua voz. Aquela voz familiar que eu ouvia falar todos os dias em minha mente e fazia pulsar meu coração, repetindo palavras que eu nao queria mais escutar por arderem o buraco em meu peito. Eu ouvi seu coração pulsar no peito, e eu me senti feliz por saber que em algum lugar ele estaria vivo - talvez até melhor sem mim - . O meu sorriso torto perfeito ainda se encontrava em algum lugar daquele rosto que tantas vezes me acolheu.
As lembraças fluíam mais depressa do que eu podia controlar e acertavam o buraco dentro do meu peito vazio. Eu queria gritar, eu queria correr delas, mas elas estavam dentro de mim. Eu tentei me afugentar e me distrair, mas eu sempre estarei presa no passado. Um passado que eu podia sorrir, que eu tinha um motivo pra viver. Mas agora tudo parece estar muito distante.

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